terça-feira, 7 de Julho de 2009

Chá Verde




Historiadores e botânicos pensam que o chá verde teve origem no continente asiático.

Segundo a antiga lenda chinesa, o chá foi descoberto pelo imperador chinês Shen Nung, em 2737 AC, quando as folhas de um arbusto selvagem cairam acidentalmente num pote com água a ferver. A primeira alusão a chá surge num contrato de escravos conhecido como “Tan Yuch”, escrito por Wang Pao, em 59 AC.

No século XVI os comerciantes da Europa transportaram do extremo oriente estas folhas para a Europa. No século XVIII o chá tinha-se tornado uma bebida estimada entre o povo Inglês. Atravessou o atlântico através de colonos americanos.
No último século as inovações sobre o chá têm sido inúmeras. Em 1904, um comerciante de Nova York enviou aos seus clientes amostras de chá em sacos de seda, tornando-se este utensílio essencial no comércio do chá. Em 1948, surge o chá instantâneo.

Actualmente, a Índia é o principal produtor de chá. Em todo o mundo, são produzidas anualmente mais de 2,5 milhões de toneladas, distribuídos pela Índia, China, Sri Lanka, Kenia, Indonésia, Turquia, Japão, Irão e Bangladesh.

A infusão de flores e ervas de chá – tisanas – é feita a partir de folhas da espécie Camellia sinensis. Esta planta pode atingir a altura de 30 pés em estado selvagem mas em plantações de chá, a planta é mantida como um arbusto podado regularmente de modo a não ultrapassar os 3 pés de altura para promover o crescimento de novas sementes.
A planta do chá desenvolve-se em climas quentes. Os melhores chás são produzidos pelas plantas cultivadas em locais de elevada altitude onde as folhas amadurecem mais lentamente e o sabor se torna mais intenso.

Dependendo da altitude, uma planta pode demorar de dois anos e meio a cinco até estar pronta para colheita e, uma vez desenvolvida, pode fornecer folhas durante um século.
Camellia sinensis produz folhagem abundante mas apenas as pequenas e jovens são colhidas para produzir chá. A colheita é efectuada à mão, podendo atingir 40 kg por dia, o suficiente para produzir 10 kg de chá.
Consoante as condições de desenvolvimento (altitude, clima, solo) da Camellia sinensis podem resultar folhas distintas. Porém, a forma como as folhas são processadas é ainda mais importante para desenvolver as características de cada tipo de chá: verde, preto e oolong.
O chá verde é o menos processado, as folhas são colocadas a vapor durante breves momentos, tornando-se macias e maleáveis, prevenindo a fermentação e alterações da cor. Após exposição ao calor, as folhas são enroladas e espalhadas até se apresentarem estaladiças. No final, resultam folhas verdes, com sabor ligeiramente adstringente semelhante ao da folha fresca.
O facto de o chá verde ser o menos processado disponibiliza todo o seu potencial nutricional, especialmente o teor em polifenóis, que são potentes antioxidantes.




Informação nutricional

O chá verde não só capta o sabor, aroma e coloração primaveril como também proporciona uma deliciosa fragrância juntamente com uma maior concentração de fitonutrimentos benéficos para a saúde. É particularmente rico em flavonóides (representa cerca de 30% do peso seco da folha), incluindo catecinas e derivados. A catecina mais abundante é epigalocatecina-3-galato (EGCG) cujo efeito se relaciona com uma acção anticarcinogénica devido ao seu forte poder antioxidante.
Uma saqueta de chá verde apesar de não conter valor energético apresenta vitaminas e minerais na sua cmposição. Paralelamente às catecinas, o chá verde é rico em vitamina C como potente antioxidante. Apresenta ainda cerca de 0,06 mg de cafeína, 80-100 mg de polifenóis e 20-30 mg de EGCG, por 100g.


Tabela de composição nutricional (100g de porção edível)

Infusão de Chá Verde

Energia (kcal)

0

Água (g)

99,7

Proteína (g)

0,1

Lípidos (g)

0

Hidratos de Carbono (g)

0

Fibra (g)

0

Vitamina B3 (mg)

0,1

Vitamina C (mg)

3,0

Magnésio (mg)

1,0

Zinco (mg)

0,1



mg = miligramas. Porção Edível = diz respeito ao peso do alimento que é consumido depois de rejeitados todos os desperdícios. Fonte: Porto A, Oliveira L. Tabela da Composição de Alimentos. Lisboa: Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge. 2006.



Vantagens e desvantagens


A evidência revela vários benefícios para a saúde associados à ingestão regular de chá verde. Estudos mostram que estes benefícios são atingidos com a ingestão de 3 chávenas por dia (que fornece cerca de 240-320 mg de polifenóis). Os quatro polifenóis mais abundantes no chá são EGCG, epigalocatecina, epicatecina galato e epicatecina. O chá verde contém entre 30-40% de polifenóis extraíveis da água. Só uma chávena de chá fornece 20-35 mg de EGCG, que é o antioxidante mais potente de todas as catecinas do chá verde.

Os consumidores frequentes de chá verde apresentam um risco menor de desenvolvimento de várias patologias, tais como infecções bacterianas ou víricas, patologias degenerativas crónicas como doença cardiovascular, cancro, doença periodontal e osteoporose. Além disso, o chá verde é essencial para a manutenção da hidratação corporal.
As catecinas inibem as enzimas envolvidas na produção de radicais livres no revestimento endotelial, prevenindo o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Adicionalmente, diminuiem o risco de aterosclerose devido à redução plasmática de colesterol LDL, triglicerídios, peróxidos e fibrinogénio, melhorando a razão colesterol LDL/colesterol HDL. Devido a estes efeitos ajudam a evitar a formação de coágulos sanguíneos, impedindo a formação de compostos pró-inflamatórios.

A ingestão de chá verde auxilia também na prevenção da hipertensão arterial.
As catecinas estão relacionadas com prevenção de vários tipos de cancro pois promovem a apoptose de células cancerígenas e inibem a angiogénese, diminuindo a propagação das células cancerígenas pelo organismo. O chá verde também tem impacto genético, uma vez que inibe a expressão em células cancerígenas que estão envolvidas no crescimento celular. O efeito anticarcinogénico deve-se à capacidade de inibir a superprodução de uma enzima – ciclooxigenase – que está envolvida no desenvolvimento de doenças como o cancro e artrite. Reduz ainda os cálculos biliares e melhora a sensibilidade à insulina em doentes diabéticos.
A ingestão de chá verde está relacionada também com a perda de massa gorda na zona visceral, que se associa a um risco aumentado de síndrome metabólica e diabetes mellitus tipo 2. Este efeito deve-se à acção das catecinas, cafeína e L-teanina.
Estudos indicam que a ingestão de chá verde protege contra doenças degenerativas como doença de Alzheimer e Parkinson.

O chá verde contém cafeína (cerca de metade da encontrada no café). O seu teor varia consoante a quantidade de chá por chávena, duração do tempo de infusão, ingestão do chá da primeira ou segunda infusão. Cerca de 80% da cafeína é extraída na primeira infusão, por esta razão, ao passar a mesma erva por duas águas, rejeitando a primeira, vai diminuir o teor de cafeína mantendo as características organolépticas.
Contudo, as catecinas e L-teanina reduzem o impacto da cafeína.
Devido ao elevado teor em taninas, o chá verde diminui a absorção de ferro.


Como comprar e conservar



Antes do momento da compra, sempre que possível, peça uma amostra de chá verde já preparado. Os chás de qualidade irão produzir uma tonalidade verde pálida ou amarelo-esverdiado.
Para comprovar a frescura, pressione uma pequena quantidade de chá e sinta o aroma, o mais fresco e saboroso irá proporcionar um cheiro doce e gramíneo.
Para testar a frescura dos sacos de chá, retire o conteúdo do seu interior e coloque-o vazio num copo, derrame água quente sobre ele e deixe-o imerso durante 2 a 3 minutos. Se o sabor é semelhante ao da água quente simples, o saco está em boa qualidade, se a água sabe a chá, significa que o chá já é antigo e o papel absorveu o seu sabor.
De forma a garantir que o chá é fresco, adquira-o em pequenas quantidades. Para garantir a sua frescura e sabor, tanto do chá a granel como o de saquetas, conserve-o num recipiente hermeticamente fechado, seco e opaco para o proteger da luz solar, humidade e odores de outros alimentos. Os recipientes escuros de vidro ou cerâmica são os melhores. Utilize sempre um pequeno recipiente pois o chá exposto ao ar num recipiente grande oxida.
Quando o chá é armazenado no frigorífico fica mais vulnerável devido à exposição à humidade e odores de outros alimentos.
Ao preparar chá a granel, coloque apenas uma colher de chá de folhas densas e pequenas, pois é o suficiente para produzir um chá forte. Deixe a água atingir o ponto de ebulição para libertar o seu oxigénio e deixe-a arrefecer um pouco antes de servir. O tempo de ebulição até estar pronto é variável. Alguns necessitam apenas de 30 segundos outros necessitam de 6 a 7 minutos.


Fonte: Nestlé

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